Com estilo único, atleta brasileiro ainda sofre por não ser empolgante para o grande público.
O anúncio do combate do fanfarrão Chael Sonnen contra Brian Stann para o UFC 136, em outubro, frustrou, mais uma vez, as pretensões de Lyoto Machida de retomar o caminho em busca do cinturão dos meio-pesados (93 kg) do UFC, que já foi seu.
O carateca, que já havia aceitado enfentar o polêmico americano, via no rival a única chance de enfrentar um top a curto prazo, “privilégio” dado aos atletas de renome ou que estejam próximos de disputar o título do evento.
Como Jon Jones, Quinton Jackson, Rashad Evans, Phil Davis, Maurício Shogun, Forrest Griffin, Rogério Minotouro e Rich Franklin estão com duelos, todos entre eles, agendados, fica a dúvida sobre o destino de Lyoto no evento e quais os planos do próprio UFC para sua carreira.
Estreando no evento em 2007, ainda invicto após oito apresentações, o carateca demorou para “emplacar” no gosto do público. Seu estilo de contra-ataque somado às três vitórias seguidas por pontos era comumente respondido com vaias.
Nem mesmo a finalização sobre o promissor camaronense Sokoudjou e a vitória humilhante imposta ao lendário Tito Ortiz o poupavam de críticas. A solução? Nocautear! Atento à necessidade de um pouco mais de apelo midiático, Lyoto focou, estudou e aprimoouu seu poder de nocaute, ou seja, a força aplicada em cada golpe.
Esforço que resultou em dois triunfos sobre adversários que terminaram estirados no chão, desacordados – leia-se Thiago Silva e Rashad Evans. Pronto, após 15 lutas Lyoto Machida era, enfim, campeão invicto do UFC e ídolo incontestável entre os fãs de MMA.
Com direito, inclusive, a comentários efusivos do patrão Dana White que o apontava como intocável e dono da melhor defesa do MMA, seguidos da previsão de que o carateca seria o número um do peso por muito tempo.
Mas o que teria feito com que o carequinha revisse tão rapidamente seu conceito sobre o “Dragão” brasileiro? A falta de agressividade.
Como campeão, o carateca, logo em sua primeira defesa de cinturão contra Maurício Shogun, saiu vaiado mesmo sendo apontado vencedor na decisão dos juízes diante de um adversário que agiu como agressor durante quase todo o duelo.
Desde então, a situação de Lyoto só piorou. Na revanche contra, um rápido nocaute, ainda no primeiro round, lhe tirou o cinturão e a invencibilidade, e, talvez, até a confiança. Tanto que no duelo contra Quinton Jackson, embora tenha atingido mais o americano, o brasileiro viu a vitória escapar na decisão dos juízes porque não soube impor sua superioridade e, mais uma vez, jogou demasiadamente no contra-ataque, arrancando novas vaias do público americano.
Tudo isto, claro, visto pelo olhar de Dana White e da alta cúpula do UFC resultou na “geladeira” dada ao ex-campeão. Afinal, o principal evento do esporte que mais cresce no mundo precisa, além de campeões, de ídolos, de personagens, e, para isso, estes precisam cair no gosto do grande público, ou seja, das pessoas que assistem lutas na tv porque gostam, mesmo sem terem praticado algum tipo de arte marcial.
Prova disso é que nem a incrível vitória por nocaute sobre Randy Couture, na luta que encerraria a carreira do maior ícone do MMA nos EUA, deu nova guinada em sua carreira, que estava publicamente ameaçada pelo próprio Dana White.
Só resta aos fãs aguardar e acompanhar a nova caminhada, passo a passo, rumo ao cinturão do lutador que, em 19 combates, se mostrou capaz de lutar de igual para igual com qualquer atleta do mundo sem, no entanto, empolgar os fãs na mesma proporção de seu talento.